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TRATAMENTO DE DERMATOFITOSE EM CÃO UTILIZANDO COMPLEXO HOMEOPÁTICO

Treatment of Dermatophytosis in Dog using Homeopathic Complex

TAMARA MARECOS Médica-veterinária, promotora técnica da Real H. [email protected]

ROBERTA PORTO Médica-veterinária, promotora técnica da Real H

Resumo

As dermatofitoses são afecções fúngicas que podem habitar a pele de cães e gatos entre outros animais, sendo uma zoonose. Os agentes comuns a estas dermatoses pertencem a três gêneros: Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton. A contaminação ocorre principalmente por contato direto e as lesões de pele variam em extensão, profundidade e localização. Um cão, macho, sem raça definida, 10 anos, foi atendido em domicílio pela médica-veterinária Tamara Marecos em Campo Grande (MS). O exame clínico revelou alopecia, dermatoses esfoliativas, prurido intenso e apatia. Exames dermatológicos confirmaram a presença de dermatófitos do gênero Microsporum. A terapêutica se baseou na utilização dos complexos homeopáticos Homeo Pet Pró-Derma, Pró-Fígado e Strong. A evolução do quadro foi visível já ao sétimo dia de tratamento, sendo que no vigésimo quarto dia de fornecimento o animal já apresentava reepitelização dos locais lesionados, ausência de prurido e crescimento total dos pelos.

Palavras-chave: cães, dermatite, homeopatia, tratamento.

Abstract

Dermatophytoses are fungal affections that can inhabit the skin of dogs, cats, among other animals, possessing a zoonotic character. The agents common to these dermatoses belong to three genera: Microsporum, Trichophyton and Epidermophyton. Contamination occurs mainly by direct contact and skin lesions vary in extent, depth and location. A dog with 10-year-old male, was taken care of by Tamara Marecos Veterinary Medicine in Campo Grande, MS. Clinical examination revealed alopecia, exfoliative dermatoses, intense pruritus and the animal was apathetic. Dermatological examinations were performed diagnosing dermatophytes of the genus Microsporum. The therapeutic approach was based on the use of the homeopathic complex Pro-Derma, Pró-Liver and Strong. The positive evolution of the disease occurred at seven days of treatment and, after twenty-four days of the use these homeopathic medicines, the animal already had re-epithelialization of the injured sites, absence of pruritus and total growth of the hairs.

Keywords: dogs, dermatitis, homeopathy, treatment.

Introdução

A dermatofitose é uma infecção superficial da pele conhecida popularmente por tinea ou impigem, causada por dermatófitos patogênicos pertencentes às espécies Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton, capazes de habitar tecidos queratinizados em animais e seres humanos (PATEL et al. 2010; LARSSON, 2016). A classificação dos dermatófitos varia de acordo com o local onde habitam, ou seja, as espécies antropofílicas são adaptadas ao homem, já as zoofílicas como a Microsporum canis são encontradas comumente em animais. Os esporos podem sobreviver por longos períodos no ambiente, já as espécies de dermatófitos geofílicos são encontrados habitando o solo (PATEL et al. 2010).

No instante em que o dermatófito penetra a epiderme, o sistema imune inato será a primeira linha de defesa contra a infecção. Nessa fase a transferrina (proteína ligada ao ferro) juntamente com o sistema complemento e os neutrófilos farão parte da proteção. Após o recrutamento da imunidade celular, apresentando uma resposta mediada por células T, ocorrerá o principal mecanismo de eliminação da infecção, aumentando a renovação dos queratinócitos e favorecendo a expulsão fisica dos fungos, concomitante a regulação da resposta inflamatória (PATEL et al. 2010).

Fatores comportamentais como o ato do animal se limpar e a presença de outros ectoparasitas, rompem a barreira epidérmica, facilitando a penetração do fungo. A temperatura e a umidade podem influenciar a sobrevida do organismo, favorecendo a proliferação. Essa é uma afecção de distribuição mundial (PATEL et al. 2010 e REZENDE et al. 2012).

O prognóstico, via de regra, é favorável e os tutores devem estar cientes dos custos do tratamento, do potencial zoonótico e da necessidade de retorno ao médico-veterinário para o acompanhamento da evolução do caso. O controle ambiental é importante, com o isolamento do animal infectado, a desinfecção das superfícies e acessórios, utilizando sanitizantes domésticos (PATEL et al. 2010).

O diagnóstico diferencial deve ser realizado para: foliculite bacteriana; dermatite irritativa por contato; dermatite alérgica por contato; sarna demodécica e alopecia psicogênica. (REZENDE, et al. 2012).

Atualmente, a busca por tratamentos alternativos que não sobrecarreguem órgãos vitais do organismo, como o fígado é cada vez mais frequente, sendo assim, a terapêutica homeopática pode ser utilizada.

Relato de caso

Em 04 de agosto de 2016 foi atendido pela médica-veterinária Tamara Marecos em Campo Grande (MS), no domicílio do tutor Jeferson Alban Vicentini, o cão de nome Hacthi, macho, sem raça definida (SRD), dez anos. O tutor solicitou a consulta devido ao aparecimento de prurido e alopecia há 30 dias.

Exame clínico: o animal apresentava alopecia principalmente em áreas do dorso, cauda e membros posteriores traseiros (Figura 1) com presença de crostas, alterações de pigmentação, dermatoses esfoliativas (Figura 2) e prurido intenso por todo o corpo.

Exames complementares realizados:

A) Raspado de Pele por pesquisa direto em lâmina. O laudo do exame foi compatível para dermatófitos dos gêneros Microsporum (Figura 3).

B) Cultura Fúngica com resultado positivo para Microsporum canis (Figura 4).

C) Cultura e Antibiograma utilizando SWAB. O resultado foi positivo para Pantoea (Enterobacter) agglomerans sendo resistente aos antibióticos: Amoxicilina e Ácido Clavulânico, Ampicilina, Ciprofloxacina, Cloranfenicol, Doxiciclina e Polimixina e sendo sensível a: Cefalexina, Ceftiofur, Cefovecina, Enrofloxacina, Gentamicina, Gentamicina, Neomicina, Oxacilina e Tetraciclina (Figura 5).

Conduta terapêutica: com os resultados laboriatoriais, deu-se início ao tratamento com os medicamentos da linha Homeo Pet (Figura 6) inicialmente por trinta dias.

1. Pró-Derma: três borrifadas direto na mucosa oral, TID,

2. Strong: três borrifadas direto na mucosa oral, TID, e

3. Pró-Fígado: três borrifadas direto na mucosa oral TID,

Evolução: em sete dias de tratamento (Figura 7) o animal já apresentava diminuição no prurido e crostas com consequente reepitelização das áreas lesionadas. No dia 28 de agosto de 2016 (Figura 8), vinte e quatro dias após o início do tratamento, não era possível mais presenciar lesões cutâneas ou áreas alopécicas.

Considerações finais

A dermatologia é uma área que exige acuidade visual na avaliação do paciente, sendo assim, o conhecimento das lesões primárias e secundárias permite identificar e definir o status da pele e comparar com a evolução do caso após o início do tratamento.

Neste caso foi possível presenciar a melhora do estado clínico do animal em sete dias de tratamento e já aos vinte dias de terapêutica homeopática, constatou-se a reepitelização das regiões lesionadas e crescimento de novos pelos.

A eleição dos medicamentos homeopáticos Pró-Derma (indicado no tratamento de dermatites, atopias, dermatoses com ou sem prurido e dermatites fúngicas), Pró-Fígado (indicado para o tratamento preventivo e curativo de insuficiência hepática, hepatite e hepatoses, promovendo a desintoxicação do órgão) e Strong (indicado no estímulo da imunidade, o apetite, a produção de células sanguíneas e melhorando o estado geral do animal) ocorreu com base na Lei dos Semelhantes (Lei Natural de Cura), ou seja, o conjunto dos princípios ativos presentes nos medicamentos, demonstrou, na prática, sua absoluta semelhança com os sintomas e sinais clínicos do paciente.

Dessa forma, ao entrar em contato com a mucosa oral, o medicamento atua estimulando o sistema neuro-endócrino através da energia eletro-magnética contida na fórmula, promovendo a eliminação de toxinas e o retorno a harmonia funcional do organismo.

A opção de utilizar a homeopatia decorre do fato de os complexos serem compostos por substâncias naturais e atóxicas sob essa forma de preparo, que estimulam e desencadeiam respostas corretivas, no sentido do reestabelecimento do equilíbrio perdido (doença), conforme descrito em cada patogenesia. (REAL, 2008).

FIGURA 1: CÃO APRESENTANDO ÁREAS COM PRESENÇA DE ALOPECIA, CROSTAS E ESCAMAÇÃO NO DIA DA CONSULTA E COLETA PARA REALIZAÇÃO DO EXAME.

FIGURA 2: CÃO APRESENTANDO DERMATOSES ESFOLIATIVAS NO DIA DA CONSULTA E COLETA PARA RASPADO CUTÂNEO.

FIGURA 3: RASPADO DE PELE DO PACIENTE HACTHI. FONTE: DIAGNÓSTICO LABORATÓRIO VETERINÁRIO.

FIGURA 4: CULTURA FÚNGICA DO PACIENTE HACTHI. FONTE: DIAGNÓSTICO LABORATÓRIO VETERINÁRIO.

FIGURA 5: CULTURA COM ANTIBIOGRAMA DO PACIENTE HATCHI. FONTE: DIAGNÓSTICO LABORATÓRIO VETERINÁRIO

FIGURA 6: MEDICAMENTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DO PACIENTE HATCHI.

FIGURA 7: EVOLUÇÃO DO QUADRO CLÍNICO DO CÃO HACTHI EM 7 DIAS DE TRATAMENTO.

FIGURA 8: EVOLUÇÃO DO QUADRO CLÍNICO DO CÃO HACTHI EM 24 DIAS DE TRATAMENTO: AUSÊNCIA DE PRURIDO, AUSÊNCIA DE ALOPECIA OU LESÕES CUTÂNEAS.

 

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