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Cão com Leishmaniose e Alteração Hepática tratado em associação com Homeopatia 2

RESUMO

A leishmaniose é uma zoonose, causada pelo protozoário do gênero Leishmania. Ela pode ocorrer de forma assintomática ou provocar diversos sintomas, que vão se manifestar de acordo com as condições imunológicas do paciente. As principais alterações apresentadas são no fígado e podem ser confirmadas pelas alterações nas enzimas hepáticas. Assim é um desafio que o tratamento da leishmaniose promova a melhora na função hepática. O presente trabalho não visa o tratamento contra leishimaniose, antes, porém, pretende demonstrar o caso de um animal com alterações hepáticas provenientes de leishmaniose, que apresentou melhoras significativas na fisiologia hepática, após ser tratado com complexo Homeopático.

INTRODUÇÃO

A Leishmaniose visceral canina (LVC) também conhecida como Calazar é uma doença infecciosa causada por protozoários flagelados, pertencentes ao gênero Leishmania. A Leishmania chagasi é responsável pela maioria dos casos de LVC diagnosticados no Brasil, ocorrendo também na Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Guatemala, Venezuela, Guadalupe, Honduras, Martinica, México e El Salvador. (SOUZA et al., 2012). A transmissão ao hospedeiro vertebrado ocorre através da picada de inseto hematófago do gênero Lutzomyia longipalpis (KRAUSPENHARI et al, 2007). Após a inoculação da Leishmania, dependendo da resposta do hospedeiro, ela pode se disseminar dos macrófagos para outros órgãos, tais como baço, medula óssea e fígado, causando uma infecção crônica.

Segundo Ferrer et al (1995) citado por Sousa et al (2012) a LVC se caracteriza pela variabilidade de sintomas clínicos e pelos tipos de lesões apresentadas, que ocorrem devido a fatores individuais relacionados ao tipo de resposta imunológica desenvolvida, grau de infestação, tempo de evolução da enfermidade e quais órgãos são afetados. Os sinais mais comumente observados são linfadenomegalia, perda de peso, hepatoesplenomegalia, conjuntivite, onicogrifose, lesões cutâneas, alopecia localizada ou generalizada e hiperqueratose (SOUSA et al., 2012). Os animais apresentam ainda febre, anemia e presença de nódulos que eventualmente podem ulcerar (KRAUSPENHARI et al, 2007).

Segundo Dias et al (2008) estudos demonstram que as análises bioquímicas indicaram que a infecção causada por Leishmania pode levar a alterações hepáticas. Na análise laboratorial, podem ser observados aumento da alanina aminotransferase (ALT) (DIAS et al 2008), hiperproteinemia, hiperglobulinemia e hipoproteinemia. A hipoalbuminemia pode ser secundária ao comprometimento hepático, ocorrendo também devido à proteinúria ou desnutrição nos casos de animais nefropatas e/ou anoréxicos (SOUSA et al., 2012).

MATERIAL E MÉTODO

Foi atendido na Clínica Veterinária Dra. Maria Izabel no Distrito Federal, em 11 de junho de 2016 um canino, macho, Rotweiller na época com dez meses. O animal foi levado para consulta, pois começou com prurido intenso e fezes amolecidas. Não era vacinado contra leishmaniose. No exame físico observaram-se lesões de pele por todo o corpo, ao redor dos olhos e pontas das orelhas, apresentando também e onicogrifose. O animal estava comendo e tomando água normalmente. Foi coletado material para realização de hemograma completo, bioquímico (Transaminase Pirúvica – TGP, Fosfatase Alcalina, Ureia e Creatinina) e sorologia para Leishmaniose.

No Hemograma as principais alterações foram; aumento de leucócitos (16.500 / mm3) e aumento de proteínas plasmáticas 10 g/dL.

Na Sorologia para Leishmaniose – Método Imunocromatográfico: deu resultado como reagente e Método: Ensaio Imunoenzimático (ELISA): foi não reagente.

Nos Exames Bioquímicos:

  • Creatinina 0,91 mg/dL (normal)
  • Uréia 56,95 mg/dL (normal)
  • TGP 101,08 U/L (Referência 10 a 60 U/L – Santé Lab. Vet)
  • Fosfatase Alc. 233,90 U/L (Referência 20 a 150 U/L – Santé Lab. Vet).

Após os resultados dos exames foram prescritos: banhos com sabão a base de Monossulfureto de Tetraetiltiuran e Shampoo a base de Hidrocortizona e Aloe Vera, 2 X por semana; Cefalexina 600 mg 01 comp. 2 X ao dia e Prednisolona 20mg 02 comp.1 X ao dia; Homeopet Pró–Derma, 03 borrifadas, via oral, 3 X ao dia e o Homeopet Pró–Fígado 03 borrifadas, via oral, 3 X ao dia.

Como o resultado da sorologia para leishmaniose foi inconclusivo, a veterinária solicitou punção de medula óssea, que confirmou o diagnóstico de leishmaniose.

RESULTADOS

Em (27/06/16), após 16 dias de tratamento, os exames foram novamente realizados, no hemograma os leucócitos diminuíram para 11.500/mm3 (queda de 30,3%) e proteínas plasmáticas diminuíram para 8,8 g/dl (queda de 12%).

No bioquímico é possível observar considerável redução dos valores de TGP e Fosfatase alcalina (tabela 1).

11/06/16 27/06/16 % de redução
TGP 101,08 U/L 70,50 U/L 30,2%
Fosfatase Alcalina 233,90 U/L 163,80 U/L 29,9%

Tabela 1: Redução de TGP e Fosfatase Alcalina após 16 dias de tratamento.

Em 11/07 aos 30 dias de tratamento, repetiu-se os exames para acompanhamento obtendo-se novas quedas em relação ao resultado anterior (tabela 2).

27/06/16 11/07/16 % de redução
TGP 70,50 U/L 23,85 U/L 66,1%
Fosfatase Alcalina 163,80 U/L 104,60 U/L 36,1%

Tabela 2: Redução de TGP e Fosfatase Alcalina com mais 14 dias de tratamento.

Além da considerável melhora laboratorial, o animal apresentou também melhora clinica, passou a se alimentar melhor, ficou mais disposto e como ainda era um filhote, apesar da Leishmaniose, teve seu desenvolvimento corporal normal.

Com os exames normais a veterinária optou por suspender o Pró-Fígado e monitorar a função hepática, animal não apresentou mais alterações.

Observa-se neste caso, que mesmo se tratando de uma doença grave e com muitas complicações a abordagem específica do complexo homeopático atingiu o objetivo, promovendo melhoras significativas na função hepática e por sua repercussão geral contribuindo na recuperação do organismo como um todo.

REFERÊNCIAS

  1. CASTRO, I. P.; SOUSA, M. V. C.; MAGALHÃES, G. M.; MUNDIM, A. V.; NOLETO, P. G.; PAULA, M. B. C.; PAJUABA NETO, A. A.; MEDEIROS, A. A. PERFIL HEPÁTICO E PROTÉICO EM CÃES COM LEISHMANIOSE VISCERAL -; 4 – Bioscience. Journal, Uberlândia, v. 28, n. 5, p. 799-804, Sept./Oct. 2012. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/view/12120/10561 – Acesso em: 12 de junho de 2018.
  2. DIAS, E. L.; BATISTA, Z. S.; GUERRA, R. M. S. N. C.; CALABRESE, K. S.; LIMA, T. B.; SILVA, A. L. A. CANINE VISCERAL LEISHMANIASIS (CVL): SEROPREVALENCE, CLINICAL, HEMATOLOGICAL AND BIOCHEMICAL FINDINGS OF DOGS NATURALLY INFECTED IN AN ENDEMIC AREA OF SÃO JOSÉ DE RIBAMAR MUNICIPALITY, MARANHÃO STATE, BRAZIL – Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 3, p. 740-745, jul./set. 2008. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/ed94/f48b441507ab008f705b322228e299bbf03b.pdf – Acesso em 13 de junho de 2018
  3. KRAUSPENHAR, C.; BECK, C,; SPEROTTO, V.; ALVES DA SILVA, A.; BASTOS, R.; RODRIGUES, L. Leishmaniose visceral em um canino de Cruz Alta, Rio Grande do Sul, Brasil. Ciência Rural, vol. 37, núm. 3, maio-junho, 2007, pp. 907-910 Universidade Federal de Santa Maria Santa Maria, Brasil. Disponível em http://www.redalyc.org/pdf/331/33137352.pdf. Acesso em 12 de junho de 2018

 

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